quinta-feira, 17 de abril de 2008

Partilhar uma ideia

Muitas vezes surpreendo-me com a falta de partilha de ideias que existe no suposto universo dos empreendedores. Normalmente os intervenientes em conversas evitam a todo o custo divulgar detalhes sobre o que andam a fazer. Talvez por medo de que as suas ideias possam ser utilizadas por outros, muitos ainda adoptam cegamente o lema "o segredo é a alma do negócio".

A partilha não diminui a ideia original, pelo contrário. Na sua célebre carta a Isaac McPherson (1813), Thomas Jefferson apresenta um bom argumento contra a falta de partilha de ideias:

Uma ideia não é diminuída, independentemente do número de pessoas que a partilham. Quando ouço a tua ideia obtenho conhecimento sem diminuir o teu. Da mesma forma, se usar a tua vela para acender a minha, obtenho luz sem te escurecer. Como o fogo, as ideias podem atravessar o mundo sem que a sua intensidade seja diminuída. — traduzido do original

Além disso, permanecer fechado não ajuda ao desenvolvimento da própria ideia. Seth Godin, no artigo Big Ideas, defende claramente que a partilha de ideias melhora a capacidade de desenvolvimento:

Tenho a sensação que quanto mais criarmos e partilharmos ideias, melhores nos tornamos a fazê-lo. O processo de manipular e, em última análise, divulgar ideias melhora tanto a qualidade como a quantidade daquilo que criamos. — traduzido do original

Além de se melhorar a capacidade de criação, também se melhora a ideia original, amplificando-a. Dave Winer, no artigo The Internet as “idea processor”, mostra precisamente isso:

Escrever publicamente na Internet tem a mais-valia de se conseguirem resolver problemas rapidamente através da ajuda de uma rede de pessoas que acrescentam valor com o que sabem criando-se assim algo maior. — traduzido do original

Mais recentemente, Celso Martinho, no artigo Booting up sapo.cv, sente a necessidade de divulgar o que muita gente poderia considerar "segredos de negócio":

Ainda é cedo para falar. Posso estar a mandar foguetes antes do tempo e sair-me o tiro pela culatra, mas de qualquer forma achei relevante fazer este post e partilhar convosco a nossa experiência.

Movimento arrojado? Eu chamo a isto inteligência.

terça-feira, 25 de março de 2008

Invenção ou inovação?

O que faz com que uma ideia seja considerada interessante e se possa transformar num projecto ou até num produto? Por que razão grande parte dos produtos são baseados em algo já existente?

Invenção vs. inovação

Para melhor perceber como uma ideia se pode transformar num produto importa compreender a diferença entre invenção e inovação. Fagerberg, em "Innovation - A guide to the literature" (PDF), apresenta uma clara distinção entre os dois termos:

Invenção é a primeira ocorrência de uma ideia para um novo produto ou processo, enquanto que inovação é a primeira tentativa de pô-la em prática. — traduzido do original, p. 5, §1.2 "What is innovation", negritos meus

Enquanto que a invenção não passa da ocorrência de uma ideia, com mais ou menos experimentalismo, a inovação envolve a criação de algo que materialize num produto ou processo essa mesma ideia. O próprio governo norte americano atribui uma distinção semelhante em "Between Invention and Innovation" (PDF), p.1, "Definition of Terms":

O termo "invenção" é usado para definir uma ideia promissora de um produto ou serviço (...). Entende-se por "inovação" a entrada com sucesso de um novo produto no mercado. — traduzido do original, negritos meus

Uma outra interpretação é apresentada por Buxton, em "Innovation vs. Invention" (PDF). Nesta análise, a inovação é vista como um processo iterativo, não envolvendo necessariamente a criação de um produto ou serviço:

Inovação tem mais a ver com a prospecção, refinação e adição de valor, do que com a pura invenção. (...) Muitas vezes a obsessão está em 'inventar' algo totalmente único, em vez de extrair valor a partir da compreensão criativa do que já é conhecido. — traduzido do original, negritos meus

É também interessante verificar que o autor identifica claramente o síndroma "not built here", apontando o dedo a quem prefere reinventar a roda em vez de juntar peças já desenvolvidas por terceiros. Muitas vezes é este mesmo factor que dilata o tempo necessário à transformação de uma ideia num novo produto.

A transformação de uma ideia — ou de uma invenção — num produto consiste então num processo iterativo, em que são consideradas prévias invenções que possam acelerar o seu desenvolvimento. Muitas vezes são necessárias várias tentativas até que o produto esteja ajustado ao mercado.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Redes Sociais em português

Foram analisadas três Redes Sociais desenvolvidas em Portugal e direccionadas ao público português: amiguinhos.com, NetJovens e SAPO spot. Para tal foram contactados representantes dos três serviços propondo-lhes que respondessem a uma pequena entrevista. De todos, apenas o NetJovens não respondeu, sendo os seus dados estatísticos obtidos a partir da secção de publicidade do seu Web site.

amiguinhos.com

O amiguinhos foi lançado em Março de 2002 e é mantido neste momento por uma equipa de 6 pessoas que partilham a amizade e o gosto por projectos Web de grande dimensão. André Moniz, um dos mentores deste projecto, revela-nos todos os detalhes do serviço.

O amiguinhos pode ser definido como um serviço onde o "utilizador pode criar amizades, trocar impressões, marcar encontros ou mesmo encontrar uma pessoa especial". André Moniz defende que "a exploração de novos meios sociais, como a comunidade do amiguinhos, é o resultado da transformação do estilo de vida deste século, da procura de expressão pessoal e de um acesso mais fácil às novas tecnologias".

Os visitantes do amiguinhos são, na sua maioria, provenientes de Portugal, mas o serviço já revela algum crescimento em França, no Reino Unido e no Brasil. André Moniz atribui este crescimento às comunidades de portugueses emigrantes existentes nesses países.

Neste momento o serviço conta com cerca de um milhão de visualizações mensais, mas a equipa antecipa um crescimento desse valor, alavancado por novas funcionalidades prestes a serem lançadas. Brevemente será possível ao utilizador promover o seu perfil através de conteúdos externos, como blogs, vídeo, e fotografia.

O amiguinhos não possui nenhuma fonte de rendimento, sendo o seu desenvolvimento sustentado pelos promotores do projecto. "Haverá um momento em que iremos colocar espaços de publicidade no site e a partir daí equilibrar todo o investimento que temos estado a realizar", refere André Moniz, com alguma precaução de modo a não degradar a usabilidade do serviço.

SAPO spot

O spot existe desde Novembro de 2007 e está integrado na rede de serviços do portal SAPO. Fazendo parte do maior portal português, o spot beneficia do acesso e da fácil integração com outros serviços SAPO. Teresa Barros, responsável pelo desenvolvimento, respondeu às questões colocadas na entrevista, revelando alguns pormenores interessantes.

O serviço oferece ao utilizador a possibilidade de criar a sua própria rede de amizades. Teresa Barros refere que "o objectivo é manter o contacto com essa sua rede (recorrendo aos mais diversos meios de comunicação, incluindo instant messaging), conhecer pessoas novas e partilhar conteúdos (mesmo que estes estejam noutros sites, como por exemplo o Flickr, SAPO Blogs, Blogspot ou YouTube)".

O spot possui um leque impressionante de funcionalidades. Desde a comunicação em tempo real entre utilizadores, passando pela inserção e partilha de conteúdos (blogs, vídeo e fotografia), existe até a possibilidade de se obter a compatibilidade astrológica entre utilizadores.

Com milhão e meio de visitas mensais provenientes maioritariamente de Portugal, o serviço é rentabilizado através da "venda de publicidade, essencialmente banners e Anúncios SAPO", indica Teresa Barros. Estas visitas traduzem-se em cerca de dez mil utilizadores que, diariamente, recorrem às muitas funcionalidades do spot.

Para o futuro esperam-se novas funcionalidades e integrações com serviços e conteúdos. "Por exemplo, vamos continuar a integração com o SAPO Mapas e utilizar a plataforma mobile", indica Teresa Barros.

Que papel terão as Redes Sociais na sociedade em geral?

André Moniz pensa que "as redes sociais estarão para a sociedade moderna como o café, o bar e a discoteca estiveram para a nossa geração". É interessante perceber até que ponto as Redes Sociais poderão assumir o papel ocupado por estes locais, e que actividades aí se desenvolverão.

Teresa Barros acredita que "estamos perante uma mudança na forma como as pessoas conhecem outras e como mantêm o contacto com velhos amigos", acrescentando ainda que "as redes sociais permitem manter contacto com amigos, mesmo aqueles que não vemos há muito tempo, e partilhar informações de forma centralizada".

O comparativo

Finalmente, aqui fica o comparativo dos três serviços, em termos de visualizações por mês, utilizadores registados e número de contactos por utilizador. Os dados relativos ao NetJovens foram obtidos a partir da sua secção de publicidade, não estando disponível a informação de contactos por utilizador.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Momentos de 2007

Lançamento do novo portal AEIOU em fase beta

Após a aquisição do AEIOU pela Impresa em Novembro de 2006, toda a gente esperava que o portal sofresse alguma alteração, mais tarde ou mais cedo. O lançamento anunciado para dia 15 de Março de 2007 foi antecipado em uma semana, dando a possibilidade ao público de testar o novo portal.

Excelente iniciativa vinda de um grupo empresarial que não estava habituado a estas andanças. A exposição pública de um produto antes do seu lançamento oficial proporciona uma melhor adequação ao mercado e permite uma divulgação com custos muito reduzidos.

PHP Summer School

Apesar da oferta de formação na área do desenvolvimento Web existir no mercado, a sua divulgação não estava a ser bem explorada. O PHP era normalmente visto como uma linguagem de fácil domínio, criando a sensação de que a formação seria desnecessária. O PHP Summer School veio mudar essa visão.

O evento ocorreu em Julho de 2007, apresentando-se como uma formação avançada que proporciona conhecimentos essenciais a quem se quer dedicar ao desenvolvimento Web profissional. A iniciativa foi lançada em conjunto pela DRI e pela Caixa Mágica, tendo ainda os apoios da Zend e do SAPO.

Aquisição do portal netjovens.pt

Quem dizia que em Portugal não era possível desenvolver um projecto Web e vendê-lo por uma quantia interessante não podia estar mais enganado. Jorge Vila Boa, estudante no Instituto Superior Técnico, protagonizou a realização do que muitos apelidam de "sonho americano".

O netjovens.pt, lançado em 2004, foi adquirido pela Impresa em Setembro de 2007 por uma quantia não superior a 1 milhão de euros. Óptimo negócio para o promotor, que viu assim o seu projecto ser integrado numa empresa com maiores potencialidades de atingir o mercado.

Lançamento do Adegga.com

A área de serviços Web dedicados ao consumidor final continua em expansão, atravessando agora segmentos de mercado mais tradicionais, como é o caso do vinho. Portugal tem uma tradição antiga de produção e consumo de vinho, e faria todo o sentido ver um projecto Web dedicado a este tema ser lançado por portugueses.

Adegga.com é um serviço social de partilha de informação e descoberta de novos vinhos. O projecto que começou por ser uma troca de ideias em 2006, passando a emprego a tempo inteiro em 2007, finalmente deu-se a conhecer a todo o mundo em Outubro de 2007.

Caso online.pt

Se para muitos o maior apagão provocado da Web portuguesa não criou problemas, para outros tantos foi o maior pesadelo de sempre. Milhares de sítios Web desaparaceram de um momento para o outro, provocando total indisponibilidade a inúmeros utilizadores.

O incidente, provocado pela FCCN em Outubro de 2007 devido a questões regulamentares, foi rapidamente resolvido pela empresa 100 Limite, que passou a gerir o domínio online.pt desde então. A transição poderia ter sido feita de outra forma, não afectando os milhares de utilizadores de todos os sítios Web debaixo deste domínio.

SAPO Mobile

Enquanto muitos ainda se questionavam sobre o consumo de serviços Web a partir do telemóvel, o SAPO chegou-se à frente e apareceu com um portal completo. Este lançamento, em Novembro de 2007, coincidiu com uma oferta de flat-fee de acesso à Internet por parte de alguns operadores móveis, desmistificando completamente a Web móvel.

O serviço SAPO Mobile tem um interface simplificado oferecendo uma experiência de utilização muito agradável. Já fazia falta ter acesso, a partir do telemóvel, a informações úteis como o trânsito, a meteorologia, ou até mesmo o cartaz de cinema.

SAPO CodeBits

O mundo do desenvolvimento Web costuma estar, do ponto de vista da opinião pública, dissociado dos produtos que são disponilizados ao consumidor final. O SAPO, através do evento CodeBits, conseguiu interligar o universo mais geek de quem desenvolve e mantém serviços Web, e o universo mais comercial de quem os vende ou consome.

Este evento aconteceu em Novembro de 2007 tendo excedido todas as expectativas da organização e do público. O SAPO conseguiu, finalmente, trazer a Portugal uma realidade que só se via acontecer noutros países. Foi, sem dúvida, o evento do ano. Houve total partilha de ideias e opiniões e a promessa de mais e melhor em 2008.

domingo, 02 de dezembro de 2007

A Web que se faz em Portugal

No início do ano descrevi algumas iniciativas startup localizadas em território nacional. Ao longo do ano muita coisa foi acontecendo e muitos novos projectos foram aparecendo. Apesar disso, fui revelando o meu descontentamento face à aversão que a generalidade dos portugueses parece ter em relação ao empreendedorismo.

Hoje, e em jeito de balanço deste ano, deixo aqui um "mapa" de projectos Web desenvolvidos e lançados em Portugal. Alguns deles estão direccionados ao mercado português, enquanto que outros ambicionam (e muito bem) o mercado global.

http://smallr.net/ http://www.destakes.com/ http://blogaqui.com/ http://www.lusocast.com/ http://www.guestcentric.com/ http://www.domelhor.net/ http://www.adegga.com/ http://www.izideal.pt/ http://gimmestock.com/ http://mappeo.net/ http://www.projectocolibri.com/ http://pt.jobtide.com/ http://blog.com/ http://questionform.com/ http://goplan.org/ http://www.palcoprincipal.com/ http://www.wiilu.com/ http://belacena.com/ http://twitternotes.com/ http://www.vivapets.com/ http://zerozero.pt/ http://petnet.pt/

Conhecem mais projectos Web desenvolvidos em Portugal? Estão a pensar lançar algum projecto nos próximos tempos?

sábado, 17 de novembro de 2007

CodeBits chega ao fim

Agora que já terminou o SAPO CodeBits quero dizer que fiquei admirado com a quantidade e qualidade de talento que compareceu no evento. Parabéns à organização e também a todos os participantes por todas as trocas de ideias, projectos apresentados, conversas interessantes e experiências partilhadas.

Em termos de projectos, houve um pouco de tudo, revelando o amplo espectro de ideias existentes entre os participantes. Houve quem se dedicasse ao desenvolvimento de frameworks ou ao melhoramento de libraries, outros iniciaram-se na arte do desenvolvimento de jogos, havendo ainda lugar a projectos de hardware, aplicações móveis, redes sociais, mashups, e Web Sites com finalidades específicas.

Neste momento só consigo desejar uma coisa: venham mais eventos como este! Se depender dos participantes terão sucesso garantido!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Rede social do SAPO CodeBits

Tenho um interesse especial por grafos e por representações visuais de redes sociais. Como já tinha gerado no passado o grafo da rede social do Yahoo! Hackday, não pude deixar de representar a rede social do SAPO CodeBits.

codeBitsNetwork.png

O pessoal do SAPO deu-se ao trabalho e desenvolveu dois serviços de apoio ao evento:

  1. Rede social --- de onde retirei a informação para gerar o grafo;
  2. Fórum --- para troca de ideias.

O serviço de rede social permite introduzir dados pessoais, fotografia, e estabelecer contactos com outros participantes. Além disso oferece ainda a possibilidade de criar equipas para participar no concurso de hacking.

Amanhã começa a maratona!

domingo, 11 de novembro de 2007

O estado do empreendedorismo

Paira no ar um certo desconforto relacionado com o facto de não existirem em Portugal projectos Web em quantidade. Existem, é claro, os grandes portais utilizados pela maioria do público português. Abaixo dessa liderança de audiências despontam alguns projectos mais corajosos, mas nada mais do que isso.

Porque razão não são lançados mais projectos Web por empresas ou indivíduos portugueses? O que falta para que surjam mais empreendedores em território nacional? Para tentar responder a estas questões proponho que tentemos dissecar as características de um empreendedor e verificar até que ponto o povo português se encaixa nesse perfil.

Após consultar alguma bibliografia relacionada com este tema, seleccionei a seguinte lista de características do empreendedor:

  • Criatividade --- O empreendedor é, por natureza, criativo. O empreendedor actua para além dos limites dos meios colocados à sua disposição, usando a criatividade para atingir os seus objectivos.
  • Realização --- O desejo de realização pessoal é um dos principais factores que motivam o empreendedor. Muitas vezes mais importante que o ganho financeiro está a realização pessoal.
  • Tolerância ao risco --- O risco é uma constante na vida de um empreendedor. Compreender e tolerar o risco é uma das suas características.
  • Independência (ou autonomia) --- O empreendedor é autónomo, conseguindo prosseguir o seu caminho mesmo sem fazer parte de uma equipa ou empresa.
  • Perseverança --- O empreendedor não desiste enquanto não conseguir alcançar o seu objectivo, por mais adversidades que lhe sejam apresentadas.
  • Auto-confiança --- Para conseguir realizar tudo aquilo a que se propõe, o empreendedor acredita, acima de tudo, em si próprio.
  • Optimismo --- Todas as situações são abordados de um ângulo optimista. O empreendedor elimina rapidamente quaisquer dificuldades que se atravessem no seu percurso.

Será que o típico português possui as características necessárias ao empreendedorismo? Provavelmente terá algumas destas características mas não todas elas, sendo que muitas das vezes possui características inversas às desejadas (o caso da característica Optimismo).

Sim, o português é criativo (nós costumamos usar o termo "desenrascado"). Sim, o português deseja muito a sua realização pessoal, embora na maior parte dos casos isso se traduza somente na componente financeira (ou seja, ganhar a lotaria resolveria a questão).

Agora, será que o português é optimista? O português é fatalista, vislumbrando quaisquer problemas ou dificuldades antes de elas acontecerem (o célebre síndroma do "Velho do Restelo"). Será que o português possui auto-confiança em quantidade suficiente para assumir os riscos inerentes a uma actividade empreendedora?

Provavelmente sem uma "rede" não avançará, precisando de apoios externos (leia-se apoios financeiros) aos seus empreendimentos. Esta é provavelmente, a principal queixa por parte de quem tem ideias e quer montar empresas: a falta de subsídios ou de capital de risco.

Antevejo em Portugal uma crescente vontade de assumir riscos e tentar a sorte na forma de projectos empresariais próprios. Obviamente que isto só acontecerá a uma franja da população, provavelmente com mais auto-confiança e optimismo. Ainda teremos que esperar bastante tempo até que possamos olhar para Portugal como um país de empreendedores.

sábado, 20 de outubro de 2007

O que está errado no marketing Open Source em Portugal

Com o aumento da divulgação da filosofia Open Source em Portugal, sinto que as acções levadas a cabo não estão a favorecer quem as promove num horizonte além do imediato.

Detecto algumas falhas na abordagem actual, que poderiam ser facilmente evitadas:

  1. a utilização da nomenclatura Open Source, ou pior ainda Software Livre --- este tipo de terminologia cria a falsa percepção de que o software é gratuito, ou livre de quaisquer encargos, quando na realidade poderá não o ser;
  2. a promoção da filosofia Open Source como argumento de venda --- em vez disso deveriam ser promovidos os benefícios da solução concreta apresentada;
  3. a oposição permanente a empresas que promovem ou vendem software de código fechado --- o factor diferenciador não deverá ser a oposição de filosofia em relação a essas empresas, mas sim os benefícios que a solução concreta apresenta;
  4. a venda de software à medida como sendo Open Source --- qualquer código desenvolvido à medida a pedido de um cliente é propriedade do mesmo, ressalvando os direitos de autor da entidade que escreveu o código;
  5. a não contribuição de código em projectos Open Source por empresas que dizem defender a filosofia --- qualquer entendido na matéria consegue rapidamente descobrir quantas linhas de código existem em projectos Open Source provenientes de uma determinada empresa;
  6. o argumento de que o Open Source permite que o cliente veja o código e faça alterações --- vai directamente contra a promoção de "serviços" em torno de aplicações instaladas e o cliente sente-se baralhado quando confrontado com ambos os argumentos.

Em resumo: mais tarde ou mais cedo, praticamente todas as empresas de desenvolvimento ou revenda de software irão oferecer pelo menos uma solução Open Source. Se não existir uma diferenciação que agarre o consumidor à empresa ou marca, esta será rapidamente diluida quando o conceito se banalizar.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

online.pt - a razão da mudança

Numa curta entrevista telefónica a um funcionário da empresa 100 Limite, actual entidade gestora do domínio online.pt, obtive algumas informações que podem ajudar a compreender o que, de facto, se estará a passar.

Segundo as palavras desse funcionário da 100 Limite, o registo do online.pt deveu-se a reclamações por parte de clientes dessa empresa que detinham sub-domínios .online.pt e que se viam naquele momento impossibilitados de utilizar os seus Web sites.

Daí até ao registo foi um passo. Transcrevendo a entrevista:

(...) somos uma empresa de housing. Temos clientes nossos que têm, tinham os sub-domínios .online.pt e necessitavam deles para funcionar, e que eram sites com já bastante tempo e envolvia muita coisa. E como o domínio estava disponível nós registámos.

Segundo o mesmo funcionário, a 100 Limite pretende dar continuidade ao serviço prestado até então pela Wallpaper, que até ontem detinha o registo do domínio online.pt.

Acerca da relação entre a 100 Limite e a empresa Ondas Lineares, actual titular do domínio online.pt, obtive a seguinte resposta:

(...) terá que falar com a administração para saber qual é o ponto de situação (...)

Qual será o desfecho deste episódio? Para já, a 100 Limite parece querer dar continuidade ao serviço até então prestado pela Wallpaper. Veremos em que moldes.