terça-feira, 14 de julho de 2009

A magia está no ar

Refiro-me ao mais recente lançamento da TMN: o HTC Magic. O equipamento da HTC, que corre o sistema operativo Android, foi colocado à venda no mercado no passado dia 6 de Julho e, desde então, tenho-o utilizado a tempo inteiro. Se já tinha ficado entusiasmado com o lançamento do G1 pela T-Mobile, agora tirei todas as minhas dúvidas quanto ao futuro desta plataforma. Deixo-vos então a minha opinião.

Primeiras impressões

Para quem está habituado a um telemóvel tradicional, é normal sentir-se que o Magic é um pouco volumoso e foi isso mesmo que me aconteceu quando o retirei da caixa. A verdade é que o equipamento é mais pequeno e mais leve do que o iPhone, pesando 116g (incluindo bateria).

O aparelho, que vem com a versão 1.5 do sistema operativo Android totalmente em inglês, oferece dois modos de visualização: paisagem e retrato. A selecção do modo de visualização é feita de forma automática sempre que o acelerómetro interno detecta se o equipamento está na horizontal ou na vertical.

O teclado virtual

Mais uma vez, para quem está habituado a escrever tudo utilizando só 10 teclas, é um pouco estranho mudar para um teclado QWERTY em miniatura. Para ajudar nesta transição, há uma série de funcionalidades disponíveis em Settings : Locale & text : Touch Input.

Uma das opções disponíveis permite alterar o teclado para que se assemelhe ao de um tradicional telemóvel. Outras opções permitem desligar a forma como o sistema antecipa o que estamos a teclar (escrita inteligente) ou ainda configurar o corrector ortográfico.

O único factor negativo é a ausência de uma opção de teclado para português, incluindo antecipação de palavras escritas, facilidade na introdução de acentos e ainda um corrector ortográfico apropriado.

A sincronização total com a conta Google

Um dos pontos fortes da plataforma Android é a sincronização de contactos, e-mail e calendário. Quando ligamos o equipamento pela primeira vez, o sistema pede-nos para introduzir uma conta Google (a mesma conta utilizada no GMail) e respectiva password. A partir desse momento, a sincronização passa a ser feita automaticamente com essa conta, não havendo necessidade de ligarmos o telefone a um computador.

Em Settings : Data synchronization é possível alterar a forma como a sincronização é feita e quais as aplicações que são automaticamente sincronizadas. Estas configurações são importantes pois evitam a comunicação excessiva de informação, factor essencial para quem não tenha um plano de dados.

A conectividade

Sendo a sincronização de informação uma das características fortes do sistema operativo Android, é imperativo que o equipamento consiga obter conectividade a partir de vários tipos de redes de dados.


Teste de velocidade da conectividade na rede 3G da TMN

O HTC Magic consegue ligar-se a redes 2G, 3G, e ainda a redes Wi-Fi. É possível, através de configurações indicar o tipo de rede a utilizar e o que o equipamento deve fazer sempre que encontrar uma rede Wi-Fi onde se consiga ligar.

As aplicações

O telemóvel possui um conjunto interessante de aplicações de origem das quais destaco algumas:

  • Browser — baseado em Webkit
  • Compass — uma autêntica bússola no telemóvel
  • GMail — aplicação oficial do Google Mail
  • Google Maps — permite obter a localização através do GPS e ainda interagir com outros utilizadores através do Google Latitude
  • Google Talk
  • Market — permite pesquisar, adquirir e instalar aplicações
  • YouTube

Sugiro ainda a instalação de algumas aplicações gratuitas, através do Market:

  • Banca SAPO — permite capas de jornais e revistas, e ler artigos de várias categorias
  • Barcode Scanner — identifica códigos de barras e QR e permite obter mais informações online
  • My Tracks — grava percursos de jogging e permite colocá-los online
  • Qik — faz a difusão de vídeo em tempo real
  • Wikitude — aplicação de realidade aumentada que mostra artigos da Wikipédia sobrepostos à imagem capturada

Geralmente, e ao contrário de outros dispositivos, as aplicações têm a capacidade de permanecerem em background. Isto oferece uma série de possibilidades que melhoram substancialmente a interacção com o utilizador.

O sistema de notificações

O Android possui um sistema de notificações que informa o utilizador sempre que ocorra um evento. Vários tipos de informação podem ser apresentados, desde chamadas perdidas, mensagens SMS recebidas, até notificações enviadas por aplicações que estejam a correr em background (exemplo: recepção de uma mensagem de e-mail).

Conclusão

Embora tenha tido alguma dificuldade inicial em usar o teclado virtual, fiquei bastante bem impressionado com o equipamento e com o sistema operativo Android. Todas as funcionalidades estão bem integradas e a sincronização automática de informação com a conta Google é a cereja no topo do bolo. O HTC Magic é uma ferramenta essencial para quem, como eu, pretende estar constantemente online.

[nota: o telemóvel HTC Magic foi gentilmente cedido pela TMN e esta é a primeira crítica que faço a equipamento electrónico de consumo]

sábado, 11 de abril de 2009

Capital Semente

Imaginem que tinham neste momento acesso a €1M. O que fariam exactamente? Muitos certamente reformar-se-iam de imediato, talvez tirando umas férias prolongadas ou fazendo uma viagem excêntrica. Outros pagariam todas as suas dívidas e comprariam tudo o que sempre sonharam mas nunca puderam ter. Alguns pensariam em tentar multiplicar o valor investindo-o em startups tecnológicas.

Imagino-me neste último grupo e, se tal acontecesse, era mesmo isso que faria: investiria em startups tecnológicas num estado inicial de desenvolvimento — de facto, no maior número de projectos que conseguisse e no seu estado mais inicial possível.

Mas faria mais do que um simples investimento monetário, porque o melhor investidor não é aquele que passa o cheque mas também aquele que ajuda a startup de todas as formas possíveis: estabelecendo contactos com outras startups e potenciais novos investidores, estando presente em eventos de interesse para os projectos investidos e, o mais importante, participando activamente nas comunidades — off- e online — em que essas startups se movimentam ou pretendem movimentar.

Estas acções, todas juntas, fortalecem o investidor e, em reflexo, as startups que beneficiam do seu investimento. Só através de uma participação activa é possível catapultar um projecto numa fase inicial de desenvolvimento, transformando-o eventualmente numa empresa lucrativa, para então vir a receber os dividendos do investimento inicial. Pelo contrário, se a imagem do investidor for fraca ou não adequada ao meio em que pretende investir, as startups investidas serão certamente prejudicadas.

Este género de investimento tem um nome específico: Capital Semente (ou em Inglês Seed Capital ou ainda Seed Money). O próprio nome revela algumas das características atrás referidas: não basta lançar uma semente e esperar que chova e que a árvore cresça e dê frutos, é mais do que isso. Da mesma forma, não basta lançar uma só semente e investir tudo nela: quanto mais área for coberta, mais hipóteses existem de algumas das sementes se transformarem e darem frutos.

É esta sem dúvida a melhor estratégia para este tipo de investimento: seleccionar um número razoável de startups e investir nelas de acordo com o montante total disponível. Para o cenário aqui descrito criaria um fundo de €300K (€150K por ano) para custos operacionais de 2 anos (salários, viagens, conferências, etc.) e investiria os restantes €700K da seguinte forma:

  • €200K em 2 projectos (€100K em cada um) cujo objectivo seja lançar uma plataforma tecnológica ou software de gestão de infraestrutura;
  • €400K em 8 projectos (€50K em cada um) cujo objectivo seja criar uma aplicação direccionada ao utilizador final e que facilite a sua participação numa ou mais plataformas online;
  • €100K em 10 projectos (€10K em cada um) cujo objectivo seja lidar com conteúdos já existentes ou criados por terceiros, manipulando a sua distribuição e facilitando a sua descoberta.

Esta estratégia permitiria criar um portfolio de 20 startups em que todos os investimentos teriam o horizonte temporal de 1 ano, ou seja, ao final do 12º mês seria feita uma avaliação de todos os projectos e seria tomada uma das seguintes acções:

  • não continuar o investimento porque o projecto se revelou um falhanço e não existe nenhuma hipótese de o salvar;
  • continuar o investimento com um valor semelhante ao anterior, para que o projecto consiga atingir os objectivos definidos inicialmente;
  • aumentar o investimento porque o projecto está, manifestamente, a receber bastante atenção do público e precisa do investimento para exercer actividades comerciais ou ampliar a base de clientes;
  • aumentar o investimento com novos investidores em projectos muito próximos de obterem grande rentabilidade;
  • alienar posição a compradores ou a novos investidores quando a oferta se revelar interessante em relação ao estado do projecto investido.

Durante este horizonte temporal de 1 ano, estaria totalmente activo em todos os meios ao meu alcance de modo a beneficiar ao máximo os projectos investidos. Além disso tentaria estar o mais próximo possível das startups, participando em reuniões mensais de avaliação do estado do desenvolvimento e noutras acções de gestão.

O facto de poder vir a ter participações em 20 empresas potencia ainda algo mais: criação de um eco-sistema de startups com parcerias, eventual partilha de conhecimentos e de recursos, partilha de espaço, acções conjuntas, etc. E isto seria só o início porque no segundo ano ainda haveria mais para dar e para fazer.

E vocês, o que fariam com €1M?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Eventos relacionados com a Web em Portugal

Preparem as vossas agendas porque esta rentrée promete. A oferta de encontros, simpósios e conferências relacionadas com a Web é impressionante este ano. Existem eventos para todos os gostos e bolsas, como poderão constatar.

6 e 7 de Setembro — realiza-se em Coimbra mais uma edição do Barcamp Portugal. O Barcamp foi apresentado pela primeira vez em Portugal em 2006 e desde então tem atraído participantes com interesses pela inovação, o empreendedorismo e a Web. Originalmente, o Barcamp apareceu em 2005 como resposta ao evento anual organizado pela O'Reilly denominado Foo Camp

8 e 10 de Setembro — um pouco mais a norte, no Porto, é apresentada a WikiSym2008. WikiSym é uma conferência subordinada à utilização, desenvolvimento e investigação de Wikis. Dentro da conferência existirão ainda dois eventos paralelos: o WikiFest e o OpenSpace. Enquanto que o WikiFest tem como objectivo a troca de ideias sobre a criação e gestão de uma Wiki, o OpenFest está aberto a todos os participantes, um pouco ao estilo Barcamp.

10 de Outubro — continuando para norte, a Universidade do Minho, em Braga, será palco do Encontro sobre web2.0. Além da existência de workshops sobre a utilização de ferramentas web2.0, o encontro pretende fomentar o debate em torno das implicações da web2.0 na actividade profissional e aprendizagem.

15, 16 e 17 de Outubro — realiza-se em Lisboa mais uma edição da SHiFT. A SHiFT é uma conferência que, pela sua variedade de temas e participantes, atrai um público internacional. Este ano o evento abordará a temática em torno das tecnologias transitórias e a forma como elas são usadas nas actividades mundanas. Além das habituais apresentações, a SHiFT oferecerá ainda um dia inteiro de workshops.

22 a 25 de Outubro — desta vez sobre a temática das TIC no quadro do desenvolvimento sustentado, é realizada a EUTIC. Este evento, que se realiza desde 2005 em vários países, é desta vez apresentado pela Universidade Nova de Lisboa. Serão abordados tópicos como a democracia electrónica, a difusão de informação, mundos virtuais e e-learning.

22 e 23 de Outubro — Pelas mãos da ACEP, surge a Digital Business Conference. Esta conferência pretende ser um espaço de debate, experimentação e sensibilização para a realidade do Negócio Electrónico. Este ano o programa conta com a participação de Chris Anderson, autor dos livros "The Long Tail" (tr. "A Cauda Longa") e "FREE".

Novembro — realiza-se mais uma edição do SAPO Codebits. Ainda não existem pormenores mas espera-se algo semelhante ao evento do ano passado: muita programação, muita tecnologia, apresentações programadas e também ad-hoc e bastante troca de ideias e de experiências. Acompanhem o blog oficial para ficarem a par de todas as novidades.

Espero que não me tenha escapado nenhum evento. Se souberem de algo mais deixem um comentário com as datas, local e uma ligação para o Website do evento.

quarta-feira, 06 de agosto de 2008

Possibilidade de coworking perto de Lisboa

Das várias reacções ao meu recente artigo "Coworking em Lisboa", houve uma que me suscitou mais interesse pois revelava a existência de um espaço disponível e abria as portas a um convite.

Refiro-me ao escritório da Logical Software. Juntei-me ao Alexandre Solleiro e ao Sérgio Veiga e fomos recebidos pelo Paulo Traça, CEO da Logical Software.

O escritório está localizado perto de Lisboa, na Rua Gago Coutinho em Odivelas. Fiquei bastante surpreendido com o espaço e com as condições apresentadas. A área é mais do que suficiente para oito secretárias, albergando ainda uma cozinha e um espaço de relax. O escritório tem ar-condicionado, o que é bastante vantajoso em dias quentes como os que se fazem sentir nesta altura do ano.

A ideia do Paulo é dividir o custo mensal do espaço pelos eventuais interessados e partilhar as instalações. O objectivo é obter-se um ambiente de trabalho mais interessante do que estando sozinho, em que a partilha e discussão de ideias é uma constante. Caso estejam interessados poderão entrar em contacto directo com o Paulo Traça.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Coworking em Lisboa

O termo coworking, criado por Brad Neuberg em meados de 2005, refere-se à partilha de um espaço, tipicamente um escritório, por várias pessoas sem uma relação aparente entre elas.

Mas o que atrai profissionais das mais variadas áreas a espaços desta natureza? Segundo o artigo "They're Working on Their Own, Just Side by Side", do New York Times, a razão é simples:

A maioria dos participantes em coworking diz que foram atraídos para os espaços pelas mesmas razões que inspiraram Neuberg: gostam de trabalhar de forma independente, mas são menos eficientes se estiverem sozinhos em casa. — traduzido do original

Uma das primeiras abordagens de quem procura parceiros de coworking — também conhecidos como coworkers — é pesquisar um wiki com informação local sobre o tema.

Rapidamente nos apercebemos que a secção dedicada a Lisboa contém algumas apresentações de indivíduos interessados no fenómeno e pouco mais. Aparentemente parece haver interesse mas não existem as condições materiais para que exista um ou vários espaços deste género em Lisboa.

Uma outra forma é pesquisarmos por cafés ou bares que tenham acesso WiFi gratuito. Existem vários espaços de restauração que, oferecendo WiFi gratuito, esperam atrair mais clientes e, potencialmente, mais receitas. De acordo com o wiki WiFiCafes existem dois locais deste género em Lisboa, mas imagino que existam outros.

Recentemente têm surgidos novas aproximações a este assunto por parte da comunidade startup de Lisboa. Daniel Barradas, CEO da corefactor, sugere a criação de um espaço tendo por base um armazém com dois pisos. A ideia é poder alojar empresas de base tecnológica que se possam complementar ideologicamente.

Vitor Domingos, co-fundador da 7syntax, propõe a existência de um espaço cool que ofereça aos seus utentes a) acesso rápido à internet; b) café e comida; e c) um datacenter privado. A ideia é criar sinergias em que os intervenientes beneficiem da proximidade. (mais informação)

Dou grande valor a estas duas iniciativas mas tenho dificuldade em acreditar no conceito coworking para empresas. Talvez por ter trabalhado mais do que uma vez em espaços de incubação de empresas, não imagino que as vantagens apontadas pelo coworking a indivíduos singulares se consigam aplicar a estruturas empresariais.

De qualquer modo, penso que este tema merece uma maior exposição pública. Que pensam em relação ao coworking? Gostariam de participar num projecto desta natureza?

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Partilhar uma ideia

Muitas vezes surpreendo-me com a falta de partilha de ideias que existe no suposto universo dos empreendedores. Normalmente os intervenientes em conversas evitam a todo o custo divulgar detalhes sobre o que andam a fazer. Talvez por medo de que as suas ideias possam ser utilizadas por outros, muitos ainda adoptam cegamente o lema "o segredo é a alma do negócio".

A partilha não diminui a ideia original, pelo contrário. Na sua célebre carta a Isaac McPherson (1813), Thomas Jefferson apresenta um bom argumento contra a falta de partilha de ideias:

Uma ideia não é diminuída, independentemente do número de pessoas que a partilham. Quando ouço a tua ideia obtenho conhecimento sem diminuir o teu. Da mesma forma, se usar a tua vela para acender a minha, obtenho luz sem te escurecer. Como o fogo, as ideias podem atravessar o mundo sem que a sua intensidade seja diminuída. — traduzido do original

Além disso, permanecer fechado não ajuda ao desenvolvimento da própria ideia. Seth Godin, no artigo Big Ideas, defende claramente que a partilha de ideias melhora a capacidade de desenvolvimento:

Tenho a sensação que quanto mais criarmos e partilharmos ideias, melhores nos tornamos a fazê-lo. O processo de manipular e, em última análise, divulgar ideias melhora tanto a qualidade como a quantidade daquilo que criamos. — traduzido do original

Além de se melhorar a capacidade de criação, também se melhora a ideia original, amplificando-a. Dave Winer, no artigo The Internet as “idea processor”, mostra precisamente isso:

Escrever publicamente na Internet tem a mais-valia de se conseguirem resolver problemas rapidamente através da ajuda de uma rede de pessoas que acrescentam valor com o que sabem criando-se assim algo maior. — traduzido do original

Mais recentemente, Celso Martinho, no artigo Booting up sapo.cv, sente a necessidade de divulgar o que muita gente poderia considerar "segredos de negócio":

Ainda é cedo para falar. Posso estar a mandar foguetes antes do tempo e sair-me o tiro pela culatra, mas de qualquer forma achei relevante fazer este post e partilhar convosco a nossa experiência.

Movimento arrojado? Eu chamo a isto inteligência.

terça-feira, 25 de março de 2008

Invenção ou inovação?

O que faz com que uma ideia seja considerada interessante e se possa transformar num projecto ou até num produto? Por que razão grande parte dos produtos são baseados em algo já existente?

Invenção vs. inovação

Para melhor perceber como uma ideia se pode transformar num produto importa compreender a diferença entre invenção e inovação. Fagerberg, em "Innovation - A guide to the literature" (PDF), apresenta uma clara distinção entre os dois termos:

Invenção é a primeira ocorrência de uma ideia para um novo produto ou processo, enquanto que inovação é a primeira tentativa de pô-la em prática. — traduzido do original, p. 5, §1.2 "What is innovation", negritos meus

Enquanto que a invenção não passa da ocorrência de uma ideia, com mais ou menos experimentalismo, a inovação envolve a criação de algo que materialize num produto ou processo essa mesma ideia. O próprio governo norte americano atribui uma distinção semelhante em "Between Invention and Innovation" (PDF), p.1, "Definition of Terms":

O termo "invenção" é usado para definir uma ideia promissora de um produto ou serviço (...). Entende-se por "inovação" a entrada com sucesso de um novo produto no mercado. — traduzido do original, negritos meus

Uma outra interpretação é apresentada por Buxton, em "Innovation vs. Invention" (PDF). Nesta análise, a inovação é vista como um processo iterativo, não envolvendo necessariamente a criação de um produto ou serviço:

Inovação tem mais a ver com a prospecção, refinação e adição de valor, do que com a pura invenção. (...) Muitas vezes a obsessão está em 'inventar' algo totalmente único, em vez de extrair valor a partir da compreensão criativa do que já é conhecido. — traduzido do original, negritos meus

É também interessante verificar que o autor identifica claramente o síndroma "not built here", apontando o dedo a quem prefere reinventar a roda em vez de juntar peças já desenvolvidas por terceiros. Muitas vezes é este mesmo factor que dilata o tempo necessário à transformação de uma ideia num novo produto.

A transformação de uma ideia — ou de uma invenção — num produto consiste então num processo iterativo, em que são consideradas prévias invenções que possam acelerar o seu desenvolvimento. Muitas vezes são necessárias várias tentativas até que o produto esteja ajustado ao mercado.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Redes Sociais em português

Foram analisadas três Redes Sociais desenvolvidas em Portugal e direccionadas ao público português: amiguinhos.com, NetJovens e SAPO spot. Para tal foram contactados representantes dos três serviços propondo-lhes que respondessem a uma pequena entrevista. De todos, apenas o NetJovens não respondeu, sendo os seus dados estatísticos obtidos a partir da secção de publicidade do seu Web site.

amiguinhos.com

O amiguinhos foi lançado em Março de 2002 e é mantido neste momento por uma equipa de 6 pessoas que partilham a amizade e o gosto por projectos Web de grande dimensão. André Moniz, um dos mentores deste projecto, revela-nos todos os detalhes do serviço.

O amiguinhos pode ser definido como um serviço onde o "utilizador pode criar amizades, trocar impressões, marcar encontros ou mesmo encontrar uma pessoa especial". André Moniz defende que "a exploração de novos meios sociais, como a comunidade do amiguinhos, é o resultado da transformação do estilo de vida deste século, da procura de expressão pessoal e de um acesso mais fácil às novas tecnologias".

Os visitantes do amiguinhos são, na sua maioria, provenientes de Portugal, mas o serviço já revela algum crescimento em França, no Reino Unido e no Brasil. André Moniz atribui este crescimento às comunidades de portugueses emigrantes existentes nesses países.

Neste momento o serviço conta com cerca de um milhão de visualizações mensais, mas a equipa antecipa um crescimento desse valor, alavancado por novas funcionalidades prestes a serem lançadas. Brevemente será possível ao utilizador promover o seu perfil através de conteúdos externos, como blogs, vídeo, e fotografia.

O amiguinhos não possui nenhuma fonte de rendimento, sendo o seu desenvolvimento sustentado pelos promotores do projecto. "Haverá um momento em que iremos colocar espaços de publicidade no site e a partir daí equilibrar todo o investimento que temos estado a realizar", refere André Moniz, com alguma precaução de modo a não degradar a usabilidade do serviço.

SAPO spot

O spot existe desde Novembro de 2007 e está integrado na rede de serviços do portal SAPO. Fazendo parte do maior portal português, o spot beneficia do acesso e da fácil integração com outros serviços SAPO. Teresa Barros, responsável pelo desenvolvimento, respondeu às questões colocadas na entrevista, revelando alguns pormenores interessantes.

O serviço oferece ao utilizador a possibilidade de criar a sua própria rede de amizades. Teresa Barros refere que "o objectivo é manter o contacto com essa sua rede (recorrendo aos mais diversos meios de comunicação, incluindo instant messaging), conhecer pessoas novas e partilhar conteúdos (mesmo que estes estejam noutros sites, como por exemplo o Flickr, SAPO Blogs, Blogspot ou YouTube)".

O spot possui um leque impressionante de funcionalidades. Desde a comunicação em tempo real entre utilizadores, passando pela inserção e partilha de conteúdos (blogs, vídeo e fotografia), existe até a possibilidade de se obter a compatibilidade astrológica entre utilizadores.

Com milhão e meio de visitas mensais provenientes maioritariamente de Portugal, o serviço é rentabilizado através da "venda de publicidade, essencialmente banners e Anúncios SAPO", indica Teresa Barros. Estas visitas traduzem-se em cerca de dez mil utilizadores que, diariamente, recorrem às muitas funcionalidades do spot.

Para o futuro esperam-se novas funcionalidades e integrações com serviços e conteúdos. "Por exemplo, vamos continuar a integração com o SAPO Mapas e utilizar a plataforma mobile", indica Teresa Barros.

Que papel terão as Redes Sociais na sociedade em geral?

André Moniz pensa que "as redes sociais estarão para a sociedade moderna como o café, o bar e a discoteca estiveram para a nossa geração". É interessante perceber até que ponto as Redes Sociais poderão assumir o papel ocupado por estes locais, e que actividades aí se desenvolverão.

Teresa Barros acredita que "estamos perante uma mudança na forma como as pessoas conhecem outras e como mantêm o contacto com velhos amigos", acrescentando ainda que "as redes sociais permitem manter contacto com amigos, mesmo aqueles que não vemos há muito tempo, e partilhar informações de forma centralizada".

O comparativo

Finalmente, aqui fica o comparativo dos três serviços, em termos de visualizações por mês, utilizadores registados e número de contactos por utilizador. Os dados relativos ao NetJovens foram obtidos a partir da sua secção de publicidade, não estando disponível a informação de contactos por utilizador.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Momentos de 2007

Lançamento do novo portal AEIOU em fase beta

Após a aquisição do AEIOU pela Impresa em Novembro de 2006, toda a gente esperava que o portal sofresse alguma alteração, mais tarde ou mais cedo. O lançamento anunciado para dia 15 de Março de 2007 foi antecipado em uma semana, dando a possibilidade ao público de testar o novo portal.

Excelente iniciativa vinda de um grupo empresarial que não estava habituado a estas andanças. A exposição pública de um produto antes do seu lançamento oficial proporciona uma melhor adequação ao mercado e permite uma divulgação com custos muito reduzidos.

PHP Summer School

Apesar da oferta de formação na área do desenvolvimento Web existir no mercado, a sua divulgação não estava a ser bem explorada. O PHP era normalmente visto como uma linguagem de fácil domínio, criando a sensação de que a formação seria desnecessária. O PHP Summer School veio mudar essa visão.

O evento ocorreu em Julho de 2007, apresentando-se como uma formação avançada que proporciona conhecimentos essenciais a quem se quer dedicar ao desenvolvimento Web profissional. A iniciativa foi lançada em conjunto pela DRI e pela Caixa Mágica, tendo ainda os apoios da Zend e do SAPO.

Aquisição do portal netjovens.pt

Quem dizia que em Portugal não era possível desenvolver um projecto Web e vendê-lo por uma quantia interessante não podia estar mais enganado. Jorge Vila Boa, estudante no Instituto Superior Técnico, protagonizou a realização do que muitos apelidam de "sonho americano".

O netjovens.pt, lançado em 2004, foi adquirido pela Impresa em Setembro de 2007 por uma quantia não superior a 1 milhão de euros. Óptimo negócio para o promotor, que viu assim o seu projecto ser integrado numa empresa com maiores potencialidades de atingir o mercado.

Lançamento do Adegga.com

A área de serviços Web dedicados ao consumidor final continua em expansão, atravessando agora segmentos de mercado mais tradicionais, como é o caso do vinho. Portugal tem uma tradição antiga de produção e consumo de vinho, e faria todo o sentido ver um projecto Web dedicado a este tema ser lançado por portugueses.

Adegga.com é um serviço social de partilha de informação e descoberta de novos vinhos. O projecto que começou por ser uma troca de ideias em 2006, passando a emprego a tempo inteiro em 2007, finalmente deu-se a conhecer a todo o mundo em Outubro de 2007.

Caso online.pt

Se para muitos o maior apagão provocado da Web portuguesa não criou problemas, para outros tantos foi o maior pesadelo de sempre. Milhares de sítios Web desaparaceram de um momento para o outro, provocando total indisponibilidade a inúmeros utilizadores.

O incidente, provocado pela FCCN em Outubro de 2007 devido a questões regulamentares, foi rapidamente resolvido pela empresa 100 Limite, que passou a gerir o domínio online.pt desde então. A transição poderia ter sido feita de outra forma, não afectando os milhares de utilizadores de todos os sítios Web debaixo deste domínio.

SAPO Mobile

Enquanto muitos ainda se questionavam sobre o consumo de serviços Web a partir do telemóvel, o SAPO chegou-se à frente e apareceu com um portal completo. Este lançamento, em Novembro de 2007, coincidiu com uma oferta de flat-fee de acesso à Internet por parte de alguns operadores móveis, desmistificando completamente a Web móvel.

O serviço SAPO Mobile tem um interface simplificado oferecendo uma experiência de utilização muito agradável. Já fazia falta ter acesso, a partir do telemóvel, a informações úteis como o trânsito, a meteorologia, ou até mesmo o cartaz de cinema.

SAPO CodeBits

O mundo do desenvolvimento Web costuma estar, do ponto de vista da opinião pública, dissociado dos produtos que são disponilizados ao consumidor final. O SAPO, através do evento CodeBits, conseguiu interligar o universo mais geek de quem desenvolve e mantém serviços Web, e o universo mais comercial de quem os vende ou consome.

Este evento aconteceu em Novembro de 2007 tendo excedido todas as expectativas da organização e do público. O SAPO conseguiu, finalmente, trazer a Portugal uma realidade que só se via acontecer noutros países. Foi, sem dúvida, o evento do ano. Houve total partilha de ideias e opiniões e a promessa de mais e melhor em 2008.

domingo, 02 de dezembro de 2007

A Web que se faz em Portugal

No início do ano descrevi algumas iniciativas startup localizadas em território nacional. Ao longo do ano muita coisa foi acontecendo e muitos novos projectos foram aparecendo. Apesar disso, fui revelando o meu descontentamento face à aversão que a generalidade dos portugueses parece ter em relação ao empreendedorismo.

Hoje, e em jeito de balanço deste ano, deixo aqui um "mapa" de projectos Web desenvolvidos e lançados em Portugal. Alguns deles estão direccionados ao mercado português, enquanto que outros ambicionam (e muito bem) o mercado global.

http://smallr.net/ http://www.destakes.com/ http://blogaqui.com/ http://www.lusocast.com/ http://www.guestcentric.com/ http://www.domelhor.net/ http://www.adegga.com/ http://www.izideal.pt/ http://gimmestock.com/ http://mappeo.net/ http://www.projectocolibri.com/ http://pt.jobtide.com/ http://blog.com/ http://questionform.com/ http://goplan.org/ http://www.palcoprincipal.com/ http://www.wiilu.com/ http://belacena.com/ http://twitternotes.com/ http://www.vivapets.com/ http://zerozero.pt/ http://petnet.pt/

Conhecem mais projectos Web desenvolvidos em Portugal? Estão a pensar lançar algum projecto nos próximos tempos?