Google com dificuldades em recrutar talentos
Parece que o fenómeno falta de mão-de-obra qualificada está a começar a preocupar o Google. De acordo com um artigo no The Wall Street Journal a atracção que muitos sentiam em trabalhar no Google está a perder força. Traduzindo o artigo:
"Há muita gente no Google que está a falar em sair agora e nos seus planos para o futuro (...)"
E esses planos passam, normalmente, por formar uma start-up ou juntar-se a uma das muitas que têm escritórios no Silicon Valley. O artigo descreve as experiências de alguns ex-funcionários do Google que optaram por empresas bem mais pequenas mas com maior potencial de crescimento e onde poderão, de facto, fazer a diferença:
"O Google está a perder uma quantidade dos seus mais talentosos colaboradores -- alguns saem por que se sentem frustrados, outros porque se sentem cansados (...)"
Qual é a reacção do Google relativamente a esta situação? Para evitar que este comportamento se transforme rapidamente na norma, foram tomadas medidas a vários níveis:
- Alteração da comunicação em acções de recrutamento;
- Adopção de uma postura muito mais start-up;
- Apoio directo a elementos empreendedores que se poderão transformar em futuros colaboradores.
Vejamos como foi alterada a comunicação. Basta visitar a área de recrutamento do Google e comparar o conteúdo com o existente antes da alteração.
Onde antes se lia "Can one conversation change the world?" lê-se agora "Enjoy what you do, where you do it, and the people you do it with.", nitidamente muito mais orientada para os aspectos práticos do trabalho e não para a filosofia por detrás da empresa. Basicamente toda a comunicação virou-se para o que o futuro colaborador poderá realizar ao juntar-se à empresa e não, como anteriormente, à grandeza da empresa e aos seus feitos ao longo dos últimos anos.
Relativamente à postura start-up e ao apoio directo dado a quem tem espírito empreendedor, veja-se o mais recente programa de financiamento lançado pela empresa a todos aqueles que se destacarem no desenvolvimento de gadgets para a homepage personalizada do Google.
O Google Gadget Ventures é um programa que oferece bolsas no valor de USD $5.000 a todos aqueles que se destacarem na criação de um gadget. Além disso oferece investimentos em capital semente no valor de USD $100.000 a quem pretenda desenvolver um negócio em torno de um gadget.
São, nitidamente, acções para chamar a atenção de todos os indivíduos que pensam trocar um emprego no Google por uma start-up. Vamos ver se estas acções terão resultados positivos a médio e longo prazo.
Comentários
Comentário de Mário Lopes
Curiosamente escrevi algo semelhante, mas o autor queixava-se que os talentos fugiam da Microsoft para o Google.
Eu acho que o problema não é com a empresa Google, é mesmo cultural. A cultura em Silicon Valley é à volta do empreendorismo e de arrsicar. Ninguém gosta de ter o emprego 9-5 com o salário fixo sem que haja emoção. Aqui as pessoas gostam de correr o risco de perder o emprego no dia a seguir porque a empresa foi à falência. Ou então de ficarem milionários depois do IPO.
Portanto, só vejo como alternativa a Google começar a abrir pólos de desenvolvimento noutros países que não partilhem tanto esta cultura. Portugal "fits like a gloove".
Escrito em sábado, 30 de junho de 2007 às 19:02 | Permalink
Comentário de pfig
calma, o google na~o quer ficar cheio de gajos sentados 'a espera da reforma, que tirem 12 pontes por ano e metam 104 dias de doenc,a (ajustar caso caiam feriados a uma 2a ou a uma 6a).
isso e dar ao estado mais de metade do que produz.
Escrito em sábado, 30 de junho de 2007 às 19:40 | Permalink
Comentário de pfig
e ma~o-de-obra formada pelas universidades em powerpoint e vb.
Escrito em sábado, 30 de junho de 2007 às 20:51 | Permalink
Comentário de bpedro
Mário, Portugal "fits like a glove" mas não tem a quantidade de profissionais com as capacidades que o Google certamente procura.
É preciso que o mercado de trabalho seja inundado de profissionais realmente capazes e não só formados, como actualmente acontece.
Escrito em terça-feira, 03 de julho de 2007 às 15:14 | Permalink