O estado do empreendedorismo
Paira no ar um certo desconforto relacionado com o facto de não existirem em Portugal projectos Web em quantidade. Existem, é claro, os grandes portais utilizados pela maioria do público português. Abaixo dessa liderança de audiências despontam alguns projectos mais corajosos, mas nada mais do que isso.
Porque razão não são lançados mais projectos Web por empresas ou indivíduos portugueses? O que falta para que surjam mais empreendedores em território nacional? Para tentar responder a estas questões proponho que tentemos dissecar as características de um empreendedor e verificar até que ponto o povo português se encaixa nesse perfil.
Após consultar alguma bibliografia relacionada com este tema, seleccionei a seguinte lista de características do empreendedor:
- Criatividade --- O empreendedor é, por natureza, criativo. O empreendedor actua para além dos limites dos meios colocados à sua disposição, usando a criatividade para atingir os seus objectivos.
- Realização --- O desejo de realização pessoal é um dos principais factores que motivam o empreendedor. Muitas vezes mais importante que o ganho financeiro está a realização pessoal.
- Tolerância ao risco --- O risco é uma constante na vida de um empreendedor. Compreender e tolerar o risco é uma das suas características.
- Independência (ou autonomia) --- O empreendedor é autónomo, conseguindo prosseguir o seu caminho mesmo sem fazer parte de uma equipa ou empresa.
- Perseverança --- O empreendedor não desiste enquanto não conseguir alcançar o seu objectivo, por mais adversidades que lhe sejam apresentadas.
- Auto-confiança --- Para conseguir realizar tudo aquilo a que se propõe, o empreendedor acredita, acima de tudo, em si próprio.
- Optimismo --- Todas as situações são abordados de um ângulo optimista. O empreendedor elimina rapidamente quaisquer dificuldades que se atravessem no seu percurso.
Será que o típico português possui as características necessárias ao empreendedorismo? Provavelmente terá algumas destas características mas não todas elas, sendo que muitas das vezes possui características inversas às desejadas (o caso da característica Optimismo).
Sim, o português é criativo (nós costumamos usar o termo "desenrascado"). Sim, o português deseja muito a sua realização pessoal, embora na maior parte dos casos isso se traduza somente na componente financeira (ou seja, ganhar a lotaria resolveria a questão).
Agora, será que o português é optimista? O português é fatalista, vislumbrando quaisquer problemas ou dificuldades antes de elas acontecerem (o célebre síndroma do "Velho do Restelo"). Será que o português possui auto-confiança em quantidade suficiente para assumir os riscos inerentes a uma actividade empreendedora?
Provavelmente sem uma "rede" não avançará, precisando de apoios externos (leia-se apoios financeiros) aos seus empreendimentos. Esta é provavelmente, a principal queixa por parte de quem tem ideias e quer montar empresas: a falta de subsídios ou de capital de risco.
Antevejo em Portugal uma crescente vontade de assumir riscos e tentar a sorte na forma de projectos empresariais próprios. Obviamente que isto só acontecerá a uma franja da população, provavelmente com mais auto-confiança e optimismo. Ainda teremos que esperar bastante tempo até que possamos olhar para Portugal como um país de empreendedores.
Comentários
Comentário de Paulo Oliveira
Viva Bruno, não posso estar mais de acordo com o seu artigo. Acho mesmo que no nosso Portugal, que todos o criticamos mas, que numa paranóia colectiva, continuamos todos na mesma, aturar todo o que se passa à nossa volta, penso que está na hora de alguma indignação. É mesmo meu entender que começa a estar na hora de se começara a separar o trigo do joio... quem nos governa não é competente... e quem é competente não está a governar. Acho que temos que sair deste fatalismo porteguesista e começra a denunciar o corruptos... todos nós conhecemos algum... denunciar os oportunistas... denunciar as manianças de quem julga que está acimada da lei. Sinto-me num país que está no terceiro mundo, com banqueiros corruptos multimilionários, politicos que nem uns bananas... e um povo cobarde. Temos duas hipoteses neste país... ou imigramos ou lutamos. E eu não estou com vontade de sair do Porto. Um abraço e bom e promissor 2008. PAO//
Escrito em sábado, 29 de dezembro de 2007 às 01:28 | Permalink