Partilhar uma ideia
Muitas vezes surpreendo-me com a falta de partilha de ideias que existe no suposto universo dos empreendedores. Normalmente os intervenientes em conversas evitam a todo o custo divulgar detalhes sobre o que andam a fazer. Talvez por medo de que as suas ideias possam ser utilizadas por outros, muitos ainda adoptam cegamente o lema "o segredo é a alma do negócio".
A partilha não diminui a ideia original, pelo contrário. Na sua célebre carta a Isaac McPherson (1813), Thomas Jefferson apresenta um bom argumento contra a falta de partilha de ideias:
Uma ideia não é diminuída, independentemente do número de pessoas que a partilham. Quando ouço a tua ideia obtenho conhecimento sem diminuir o teu. Da mesma forma, se usar a tua vela para acender a minha, obtenho luz sem te escurecer. Como o fogo, as ideias podem atravessar o mundo sem que a sua intensidade seja diminuída. — traduzido do original
Além disso, permanecer fechado não ajuda ao desenvolvimento da própria ideia. Seth Godin, no artigo Big Ideas, defende claramente que a partilha de ideias melhora a capacidade de desenvolvimento:
Tenho a sensação que quanto mais criarmos e partilharmos ideias, melhores nos tornamos a fazê-lo. O processo de manipular e, em última análise, divulgar ideias melhora tanto a qualidade como a quantidade daquilo que criamos. — traduzido do original
Além de se melhorar a capacidade de criação, também se melhora a ideia original, amplificando-a. Dave Winer, no artigo The Internet as “idea processor”, mostra precisamente isso:
Escrever publicamente na Internet tem a mais-valia de se conseguirem resolver problemas rapidamente através da ajuda de uma rede de pessoas que acrescentam valor com o que sabem criando-se assim algo maior. — traduzido do original
Mais recentemente, Celso Martinho, no artigo Booting up sapo.cv, sente a necessidade de divulgar o que muita gente poderia considerar "segredos de negócio":
Ainda é cedo para falar. Posso estar a mandar foguetes antes do tempo e sair-me o tiro pela culatra, mas de qualquer forma achei relevante fazer este post e partilhar convosco a nossa experiência.
Movimento arrojado? Eu chamo a isto inteligência.
Comentários
Comentário de Jose Silva
Exactamente o que sinto a esse respeito, não é comum ouvir alguém partilhar uma ideia de algo que ainda não nasceu, sendo por isso ainda uma ideia.
Penso que é o medo de que quem ouve seja mais hábil e desvie a ideia para proveito próprio, não sei.
Sei que ao não partilhar uma ideia, não recebe feedback muito importante para a validade da ideia ou não como projecto!
Escrito em quinta-feira, 17 de abril de 2008 às 19:28 | Permalink
Comentário de Joao Correia
Partilhar ideias de coisas implementadas e lideres de mercado é facil, difícil é divulgar ideias de coisas que estão para nascer e que podem facilmente ser copiadas/implementadas por gigantes.
As ideias devem ser discutidas sim, mas dentro de um grupo contido de pessoas ligadas intimamente com o projecto.
Abraco
Joao Correia
Escrito em quinta-feira, 17 de abril de 2008 às 21:56 | Permalink
Comentário de nuno
isso não é assim tao simples como pintas, já por isso existe espionagem industrial...uma qualquer empresa grande não vai andar ai a divulgar a sua ideia inovadora para as outras empresas concorrentes a usarem primeiro. Isto aplica-se a nós também. A nao ser que tenhamos confiança nas pessoas a quem dizemos, não vamos por ai divulgar na net que vamos fazer uma mega aplicacao inovadora web2.0 para quando estiver pronta a ser lançada, já alguém ter visto a tua ideia e ter lançado primeiro...
Escrito em quinta-feira, 17 de abril de 2008 às 22:26 | Permalink
Comentário de Armando Alves
Este assunto trouxe-me à memória uma das minhas citações preferidas, por Howard Aiken:
"Don't worry about people stealing your ideas. If your ideas are any good, you'll have to ram them down people's throats."
adaptada para a área criativa pelo J. Zeldman como:
"Don’t worry about people stealing your design work. Worry about the day they stop."
Escrito em quinta-feira, 17 de abril de 2008 às 22:29 | Permalink
Comentário de Bruno Figueiredo
Já tivemos esta conversa no Basecamp em Setembro passado. Ideias em si não valem nada, o que vale é a implementação. Ás vezes penso se este medo de partilhar ideias não será um requicio do medo de se fazer ouvir do tempo da PIDE. Somos actualmente um povo estranho: pessimistas, pouco ambiciosos, invejosos e preguiçosos. Espero bem que a nossa geração comece a dar a volta a isto.
Escrito em sexta-feira, 18 de abril de 2008 às 18:11 | Permalink
Comentário de Miguel Maio
O problema das ideias é que, demasiadas vezes se confunde "o momento" da ideia com o momento da execução, tal como o Bruno Figueiredo aflora.
Tenho-me cruzado com imensas excelentes ideias. Contudo, passar da ideia ao negócio, do negócio ao planeamento e do planeamento à execução.... é muito muito complicado. E porquê? Ter ideias é fácil. ;)
Todos os dias tentamos ter ideias e estamos a roubar ideias. E todos os dias somos roubados. É um dilema.
Escrito em sábado, 19 de abril de 2008 às 15:06 | Permalink
Comentário de pfig
ha' mais ou menos 10 anos, qdo ainda se estava a experimentar muita coisa, havia uns jantares semanais com gente de todos os isps, onde se falava de tudo o que se estava a fazer, como se estava a resolver este ou aquele problema, etc. claro que no dia seguinte provavelmente ningue'm se lembraria de nada...
Escrito em quinta-feira, 08 de maio de 2008 às 10:10 | Permalink