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Coworking em Lisboa

O termo coworking, criado por Brad Neuberg em meados de 2005, refere-se à partilha de um espaço, tipicamente um escritório, por várias pessoas sem uma relação aparente entre elas.

Mas o que atrai profissionais das mais variadas áreas a espaços desta natureza? Segundo o artigo "They're Working on Their Own, Just Side by Side", do New York Times, a razão é simples:

A maioria dos participantes em coworking diz que foram atraídos para os espaços pelas mesmas razões que inspiraram Neuberg: gostam de trabalhar de forma independente, mas são menos eficientes se estiverem sozinhos em casa. — traduzido do original

Uma das primeiras abordagens de quem procura parceiros de coworking — também conhecidos como coworkers — é pesquisar um wiki com informação local sobre o tema.

Rapidamente nos apercebemos que a secção dedicada a Lisboa contém algumas apresentações de indivíduos interessados no fenómeno e pouco mais. Aparentemente parece haver interesse mas não existem as condições materiais para que exista um ou vários espaços deste género em Lisboa.

Uma outra forma é pesquisarmos por cafés ou bares que tenham acesso WiFi gratuito. Existem vários espaços de restauração que, oferecendo WiFi gratuito, esperam atrair mais clientes e, potencialmente, mais receitas. De acordo com o wiki WiFiCafes existem dois locais deste género em Lisboa, mas imagino que existam outros.

Recentemente têm surgidos novas aproximações a este assunto por parte da comunidade startup de Lisboa. Daniel Barradas, CEO da corefactor, sugere a criação de um espaço tendo por base um armazém com dois pisos. A ideia é poder alojar empresas de base tecnológica que se possam complementar ideologicamente.

Vitor Domingos, co-fundador da 7syntax, propõe a existência de um espaço cool que ofereça aos seus utentes a) acesso rápido à internet; b) café e comida; e c) um datacenter privado. A ideia é criar sinergias em que os intervenientes beneficiem da proximidade. (mais informação)

Dou grande valor a estas duas iniciativas mas tenho dificuldade em acreditar no conceito coworking para empresas. Talvez por ter trabalhado mais do que uma vez em espaços de incubação de empresas, não imagino que as vantagens apontadas pelo coworking a indivíduos singulares se consigam aplicar a estruturas empresariais.

De qualquer modo, penso que este tema merece uma maior exposição pública. Que pensam em relação ao coworking? Gostariam de participar num projecto desta natureza?

Comentários

Comentário de andrezero

assunto da máxima pertinência

com mais ou menos massa crítica, com mais ou menos propensão da nossa cultura para abraçar estes aspectos da vida, isto vai acabar por acontecer em muitos sítios e até a níveis diferentes

desde uma espécie de rent-a-space altamente descomprometido até co-working de indivíduos até ao idealizado pelo VD que de facto é mais à frente, mas não deixará de acontecer

Comentário de Sergio

Não podia estar mais de acordo contigo bruno :)

Comentário de DesignerFerro

Co-working ou Cow-orking? :)
(Desculpa! Não resisti!)

Comentário de Daniel Barradas

A ideia é um bocado mais que isso e é dificil de explicar em poucas linhas.
Mas bottomline a ideia é criar um hub de empresas e individuos (ou grupos de individuos) que tenham aplicações web (tipo tarpipe, adegga, stream19 etc) e junta-las todas no mesmo espaço fisico para aproveitar sinergias e criar produtos ainda com mais qualidade. Parte da ideia também passa por mostrar que se fazem bons produtos cá em portugal e permitir que os investidores (nomeadamente os de san francisco) tenham "mais" confiança a dar dinheiro em portugal. Dai parte da ideia tb ser arranjar padrinhos internacionais para o projecto.

No entanto tens razão em algumas das coisas que já discutimos como o crescimento de empresas por exemplo, a diferença é que eu vejo-as como coisas a melhorar e não como obstaculos :)

A "minha" ideia (porque já sofreu evoluções de todos os inputs que recebi de ti, do andré ribeirinho, do bruno figueiredo, tiago henriques, pedro sousa, rui lopes, als, etc) parece ser similar em relação à do VD excepto na parte do datacenter que não acho ser pertinente com ec2, s3 e app engines por ai. Não acho que seja algo para beneficiar todos mas sim apenas alguns mas é algo a discutir.

De qualquer modo assim que houver tempo colocarei on-line o projecto algures para discusão publica :)

Comentário de Daniel Barradas

Apenas mais uma coisa, a tua ideia da associação está a ser considerada e neste momento acho que é o caminho a seguir.

A associação trataria de toda a burocracia (pagamentos agua, luz, telefone, net, rendas, etc) serviria de ponte com a contabilidade e trataria de tudo o que fosse consumiveis (quer seja alimentação quer seja toners, economato e afins).

Ou seja, neste momento, parte da ideia tb é reduzir ao minimo a burocracia necessária dentro das empresas participantes de modo a que se possam cingir ao seu core business.

Na prática terias de pagar uma factura no fim de todos os meses de um valor fixo e serias avisado de qd pagar cada umas das coisinhas que o estado pede em vez de teres de andar tu em cima delas ou de teres de contratar uma secretaria para fazer esse trabalho.

Comentário de MV

>a tua ideia da associação >está a ser considerada e >neste momento acho que é o >caminho a seguir
>

O veiculo mais adequado seria uma A.C.E. (associação complementar de empresas) ou uma cooperativa, não uma associação.

-- MV

Comentário de pfigAuthor Profile Page

ha' uns anos recusei uma oferta para trabalhar a partir de casa exactamente por algumas destas razo~es: pode ser muito porreiro andar de pijama o dia todo, mas na~o consigo funcionar sem ter algue'm para insultar/me insultar.

estes espac,os eram completamente impensa'veis na altura, lembro-me que muito pouca gente tinha sequer isdn, e os cybercafe's eram servidos por baterias de modems 33.6. hoje em dia e' difi'cil encontrar menos de 8mbits, e mesmo tendo em conta o skype e afins e estar online constantemente (lembro-me que na altura um dos pormenores que discuti com o meu empregador foi quantas vezes por dia me ligaria para fazer commit), julgo que preferiria sempre trabalhar em regime de coworking do que sozinho em casa.

Comentário de Daniel Barradas

@mv mas nem todos serão uma empresa.

Podes explicar o porque de achares melhor em relação a uma associação?

Comentário de Alexandre Loureiro Solleiro

Estou de acordo contigo, Bruno. O coworking é para os coworkers. Porém as vantagens que do coworking derivam transversais são (Yoda).

É legítimo assumirmos que o modelo das incubadoras tem falhado; nunca ouvi comentários positivos sobre "incubadoras" e "cross-polination". Os custos são menores, e às vezes é até um bom cartão de visita. É um serviço, que no fundo tem pouca alma e que abre poucas portas. Queremos serendipity e colaboração!

O que ambos o Daniel e o Vitor propõem é acertar onde as incubadoras falham, e isso responde a necessidades reais. Interessa-me que estas idéias se transformem em propostas e acho que uma boa conversa com muitos inputs vai ajudar.

+1 para que o debate corra os blogs, e já agora que se focalize nas propostas. Fica o desafio para os dois mencionados :)

Comentário de Bruno Pedro

Obrigado pelos comentários.

Daniel: a minha sugestão de se criar uma associação tinha como objectivo facilitar somente a gestão do espaço. Acho que tudo o resto (comida, economato, etc.) deve ser deixado ao encargo dos intervenientes.

Pedro: esse teu relato é interessante. De facto, há bastante tempo que profissionais desta área sentem vontade de partilharem um mesmo espaço. Lembro-me quando estava a estudar que os laboratórios de informática eram bastante usados para essa finalidade porque tinham acesso gratuito à internet.

Alexandre: correr o debate! Vamos deixar (Yoda). As actuais incubadoras já oferecem tudo o que é aqui proposto, excepto o facto de várias empresas partilharem realmente o mesmo espaço.

Espero então mais desenvolvimentos sobre este tema.

Comentário de Alexandre Loureiro Solleiro

Bruno: Pelo que tenho percebido, diria que a diferença central em relatção às incubadoras é a colaboração, entre empresas e entre pessoas de empresas diferentes.

A ausência de paredes que citas é uma boa ilustração. E oferecem-se mais desinibidores para além do open space. São bons e são só desinibores; as pessoas já vão com vontade e com "mentes semelhantes".

Há uma diferenciação entre a oferta das incubadoras e estas. O que não quer dizer que as incubadoras não acabem por se virar para estes modelos ;)

Comentário de Paulo Traça

Bruno,
é uma ideia interessante. Neste momento tenho um espaço disponível, totalmente equipado, com datacenter e tudo em que se podia fazer isto. Gostaria de saber se alguem esta interessado?

Cheers

Comentário de Bruno Pedro

Paulo: muito interessante. Gostaria de fazer uma visita a esse espaço.

O único senão que consigo imaginar é a sua localização não ser exactamente em Lisboa, mas não fica longe.

Comentário de Frederico Lucas

Estou a acompanhar o conceito há algum tempo porque considero uma evolução ao teletrabalho que pratico há 16 anos.

Na minha óptica os centros de coworking são indispensáveis no interior ao contrário do modelo metropolitano que se tem aplicado.

Tenho a opinião que estes projectos devem ter um forte apoio das associações empresariais.

O modelo actual de empresas já não é uma fábrica com 80 funcionários nem um escritório com 7 ou 8 profissionais.
É este: Microempresas sedeadas no espaço onde o empreendedor se senta!

Por isso, as associações empresariais terão de se voltar para este modelo (± coworking; ± incubação) se quiserem continuar a ter utilidade social.

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