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abril 11, 2009

Capital Semente

Imaginem que tinham neste momento acesso a €1M. O que fariam exactamente? Muitos certamente reformar-se-iam de imediato, talvez tirando umas férias prolongadas ou fazendo uma viagem excêntrica. Outros pagariam todas as suas dívidas e comprariam tudo o que sempre sonharam mas nunca puderam ter. Alguns pensariam em tentar multiplicar o valor investindo-o em startups tecnológicas.

Imagino-me neste último grupo e, se tal acontecesse, era mesmo isso que faria: investiria em startups tecnológicas num estado inicial de desenvolvimento — de facto, no maior número de projectos que conseguisse e no seu estado mais inicial possível.

Mas faria mais do que um simples investimento monetário, porque o melhor investidor não é aquele que passa o cheque mas também aquele que ajuda a startup de todas as formas possíveis: estabelecendo contactos com outras startups e potenciais novos investidores, estando presente em eventos de interesse para os projectos investidos e, o mais importante, participando activamente nas comunidades — off- e online — em que essas startups se movimentam ou pretendem movimentar.

Estas acções, todas juntas, fortalecem o investidor e, em reflexo, as startups que beneficiam do seu investimento. Só através de uma participação activa é possível catapultar um projecto numa fase inicial de desenvolvimento, transformando-o eventualmente numa empresa lucrativa, para então vir a receber os dividendos do investimento inicial. Pelo contrário, se a imagem do investidor for fraca ou não adequada ao meio em que pretende investir, as startups investidas serão certamente prejudicadas.

Este género de investimento tem um nome específico: Capital Semente (ou em Inglês Seed Capital ou ainda Seed Money). O próprio nome revela algumas das características atrás referidas: não basta lançar uma semente e esperar que chova e que a árvore cresça e dê frutos, é mais do que isso. Da mesma forma, não basta lançar uma só semente e investir tudo nela: quanto mais área for coberta, mais hipóteses existem de algumas das sementes se transformarem e darem frutos.

É esta sem dúvida a melhor estratégia para este tipo de investimento: seleccionar um número razoável de startups e investir nelas de acordo com o montante total disponível. Para o cenário aqui descrito criaria um fundo de €300K (€150K por ano) para custos operacionais de 2 anos (salários, viagens, conferências, etc.) e investiria os restantes €700K da seguinte forma:

  • €200K em 2 projectos (€100K em cada um) cujo objectivo seja lançar uma plataforma tecnológica ou software de gestão de infraestrutura;
  • €400K em 8 projectos (€50K em cada um) cujo objectivo seja criar uma aplicação direccionada ao utilizador final e que facilite a sua participação numa ou mais plataformas online;
  • €100K em 10 projectos (€10K em cada um) cujo objectivo seja lidar com conteúdos já existentes ou criados por terceiros, manipulando a sua distribuição e facilitando a sua descoberta.

Esta estratégia permitiria criar um portfolio de 20 startups em que todos os investimentos teriam o horizonte temporal de 1 ano, ou seja, ao final do 12º mês seria feita uma avaliação de todos os projectos e seria tomada uma das seguintes acções:

  • não continuar o investimento porque o projecto se revelou um falhanço e não existe nenhuma hipótese de o salvar;
  • continuar o investimento com um valor semelhante ao anterior, para que o projecto consiga atingir os objectivos definidos inicialmente;
  • aumentar o investimento porque o projecto está, manifestamente, a receber bastante atenção do público e precisa do investimento para exercer actividades comerciais ou ampliar a base de clientes;
  • aumentar o investimento com novos investidores em projectos muito próximos de obterem grande rentabilidade;
  • alienar posição a compradores ou a novos investidores quando a oferta se revelar interessante em relação ao estado do projecto investido.

Durante este horizonte temporal de 1 ano, estaria totalmente activo em todos os meios ao meu alcance de modo a beneficiar ao máximo os projectos investidos. Além disso tentaria estar o mais próximo possível das startups, participando em reuniões mensais de avaliação do estado do desenvolvimento e noutras acções de gestão.

O facto de poder vir a ter participações em 20 empresas potencia ainda algo mais: criação de um eco-sistema de startups com parcerias, eventual partilha de conhecimentos e de recursos, partilha de espaço, acções conjuntas, etc. E isto seria só o início porque no segundo ano ainda haveria mais para dar e para fazer.

E vocês, o que fariam com €1M?

agosto 27, 2008

Eventos relacionados com a Web em Portugal

Preparem as vossas agendas porque esta rentrée promete. A oferta de encontros, simpósios e conferências relacionadas com a Web é impressionante este ano. Existem eventos para todos os gostos e bolsas, como poderão constatar.

6 e 7 de Setembro — realiza-se em Coimbra mais uma edição do Barcamp Portugal. O Barcamp foi apresentado pela primeira vez em Portugal em 2006 e desde então tem atraído participantes com interesses pela inovação, o empreendedorismo e a Web. Originalmente, o Barcamp apareceu em 2005 como resposta ao evento anual organizado pela O'Reilly denominado Foo Camp

8 e 10 de Setembro — um pouco mais a norte, no Porto, é apresentada a WikiSym2008. WikiSym é uma conferência subordinada à utilização, desenvolvimento e investigação de Wikis. Dentro da conferência existirão ainda dois eventos paralelos: o WikiFest e o OpenSpace. Enquanto que o WikiFest tem como objectivo a troca de ideias sobre a criação e gestão de uma Wiki, o OpenFest está aberto a todos os participantes, um pouco ao estilo Barcamp.

10 de Outubro — continuando para norte, a Universidade do Minho, em Braga, será palco do Encontro sobre web2.0. Além da existência de workshops sobre a utilização de ferramentas web2.0, o encontro pretende fomentar o debate em torno das implicações da web2.0 na actividade profissional e aprendizagem.

15, 16 e 17 de Outubro — realiza-se em Lisboa mais uma edição da SHiFT. A SHiFT é uma conferência que, pela sua variedade de temas e participantes, atrai um público internacional. Este ano o evento abordará a temática em torno das tecnologias transitórias e a forma como elas são usadas nas actividades mundanas. Além das habituais apresentações, a SHiFT oferecerá ainda um dia inteiro de workshops.

22 a 25 de Outubro — desta vez sobre a temática das TIC no quadro do desenvolvimento sustentado, é realizada a EUTIC. Este evento, que se realiza desde 2005 em vários países, é desta vez apresentado pela Universidade Nova de Lisboa. Serão abordados tópicos como a democracia electrónica, a difusão de informação, mundos virtuais e e-learning.

22 e 23 de Outubro — Pelas mãos da ACEP, surge a Digital Business Conference. Esta conferência pretende ser um espaço de debate, experimentação e sensibilização para a realidade do Negócio Electrónico. Este ano o programa conta com a participação de Chris Anderson, autor dos livros "The Long Tail" (tr. "A Cauda Longa") e "FREE".

Novembro — realiza-se mais uma edição do SAPO Codebits. Ainda não existem pormenores mas espera-se algo semelhante ao evento do ano passado: muita programação, muita tecnologia, apresentações programadas e também ad-hoc e bastante troca de ideias e de experiências. Acompanhem o blog oficial para ficarem a par de todas as novidades.

Espero que não me tenha escapado nenhum evento. Se souberem de algo mais deixem um comentário com as datas, local e uma ligação para o Website do evento.

julho 21, 2008

Coworking em Lisboa

O termo coworking, criado por Brad Neuberg em meados de 2005, refere-se à partilha de um espaço, tipicamente um escritório, por várias pessoas sem uma relação aparente entre elas.

Mas o que atrai profissionais das mais variadas áreas a espaços desta natureza? Segundo o artigo "They're Working on Their Own, Just Side by Side", do New York Times, a razão é simples:

A maioria dos participantes em coworking diz que foram atraídos para os espaços pelas mesmas razões que inspiraram Neuberg: gostam de trabalhar de forma independente, mas são menos eficientes se estiverem sozinhos em casa. — traduzido do original

Uma das primeiras abordagens de quem procura parceiros de coworking — também conhecidos como coworkers — é pesquisar um wiki com informação local sobre o tema.

Rapidamente nos apercebemos que a secção dedicada a Lisboa contém algumas apresentações de indivíduos interessados no fenómeno e pouco mais. Aparentemente parece haver interesse mas não existem as condições materiais para que exista um ou vários espaços deste género em Lisboa.

Uma outra forma é pesquisarmos por cafés ou bares que tenham acesso WiFi gratuito. Existem vários espaços de restauração que, oferecendo WiFi gratuito, esperam atrair mais clientes e, potencialmente, mais receitas. De acordo com o wiki WiFiCafes existem dois locais deste género em Lisboa, mas imagino que existam outros.

Recentemente têm surgidos novas aproximações a este assunto por parte da comunidade startup de Lisboa. Daniel Barradas, CEO da corefactor, sugere a criação de um espaço tendo por base um armazém com dois pisos. A ideia é poder alojar empresas de base tecnológica que se possam complementar ideologicamente.

Vitor Domingos, co-fundador da 7syntax, propõe a existência de um espaço cool que ofereça aos seus utentes a) acesso rápido à internet; b) café e comida; e c) um datacenter privado. A ideia é criar sinergias em que os intervenientes beneficiem da proximidade. (mais informação)

Dou grande valor a estas duas iniciativas mas tenho dificuldade em acreditar no conceito coworking para empresas. Talvez por ter trabalhado mais do que uma vez em espaços de incubação de empresas, não imagino que as vantagens apontadas pelo coworking a indivíduos singulares se consigam aplicar a estruturas empresariais.

De qualquer modo, penso que este tema merece uma maior exposição pública. Que pensam em relação ao coworking? Gostariam de participar num projecto desta natureza?

abril 17, 2008

Partilhar uma ideia

Muitas vezes surpreendo-me com a falta de partilha de ideias que existe no suposto universo dos empreendedores. Normalmente os intervenientes em conversas evitam a todo o custo divulgar detalhes sobre o que andam a fazer. Talvez por medo de que as suas ideias possam ser utilizadas por outros, muitos ainda adoptam cegamente o lema "o segredo é a alma do negócio".

A partilha não diminui a ideia original, pelo contrário. Na sua célebre carta a Isaac McPherson (1813), Thomas Jefferson apresenta um bom argumento contra a falta de partilha de ideias:

Uma ideia não é diminuída, independentemente do número de pessoas que a partilham. Quando ouço a tua ideia obtenho conhecimento sem diminuir o teu. Da mesma forma, se usar a tua vela para acender a minha, obtenho luz sem te escurecer. Como o fogo, as ideias podem atravessar o mundo sem que a sua intensidade seja diminuída. — traduzido do original

Além disso, permanecer fechado não ajuda ao desenvolvimento da própria ideia. Seth Godin, no artigo Big Ideas, defende claramente que a partilha de ideias melhora a capacidade de desenvolvimento:

Tenho a sensação que quanto mais criarmos e partilharmos ideias, melhores nos tornamos a fazê-lo. O processo de manipular e, em última análise, divulgar ideias melhora tanto a qualidade como a quantidade daquilo que criamos. — traduzido do original

Além de se melhorar a capacidade de criação, também se melhora a ideia original, amplificando-a. Dave Winer, no artigo The Internet as “idea processor”, mostra precisamente isso:

Escrever publicamente na Internet tem a mais-valia de se conseguirem resolver problemas rapidamente através da ajuda de uma rede de pessoas que acrescentam valor com o que sabem criando-se assim algo maior. — traduzido do original

Mais recentemente, Celso Martinho, no artigo Booting up sapo.cv, sente a necessidade de divulgar o que muita gente poderia considerar "segredos de negócio":

Ainda é cedo para falar. Posso estar a mandar foguetes antes do tempo e sair-me o tiro pela culatra, mas de qualquer forma achei relevante fazer este post e partilhar convosco a nossa experiência.

Movimento arrojado? Eu chamo a isto inteligência.

março 25, 2008

Invenção ou inovação?

O que faz com que uma ideia seja considerada interessante e se possa transformar num projecto ou até num produto? Por que razão grande parte dos produtos são baseados em algo já existente?

Invenção vs. inovação

Para melhor perceber como uma ideia se pode transformar num produto importa compreender a diferença entre invenção e inovação. Fagerberg, em "Innovation - A guide to the literature" (PDF), apresenta uma clara distinção entre os dois termos:

Invenção é a primeira ocorrência de uma ideia para um novo produto ou processo, enquanto que inovação é a primeira tentativa de pô-la em prática. — traduzido do original, p. 5, §1.2 "What is innovation", negritos meus

Enquanto que a invenção não passa da ocorrência de uma ideia, com mais ou menos experimentalismo, a inovação envolve a criação de algo que materialize num produto ou processo essa mesma ideia. O próprio governo norte americano atribui uma distinção semelhante em "Between Invention and Innovation" (PDF), p.1, "Definition of Terms":

O termo "invenção" é usado para definir uma ideia promissora de um produto ou serviço (...). Entende-se por "inovação" a entrada com sucesso de um novo produto no mercado. — traduzido do original, negritos meus

Uma outra interpretação é apresentada por Buxton, em "Innovation vs. Invention" (PDF). Nesta análise, a inovação é vista como um processo iterativo, não envolvendo necessariamente a criação de um produto ou serviço:

Inovação tem mais a ver com a prospecção, refinação e adição de valor, do que com a pura invenção. (...) Muitas vezes a obsessão está em 'inventar' algo totalmente único, em vez de extrair valor a partir da compreensão criativa do que já é conhecido. — traduzido do original, negritos meus

É também interessante verificar que o autor identifica claramente o síndroma "not built here", apontando o dedo a quem prefere reinventar a roda em vez de juntar peças já desenvolvidas por terceiros. Muitas vezes é este mesmo factor que dilata o tempo necessário à transformação de uma ideia num novo produto.

A transformação de uma ideia — ou de uma invenção — num produto consiste então num processo iterativo, em que são consideradas prévias invenções que possam acelerar o seu desenvolvimento. Muitas vezes são necessárias várias tentativas até que o produto esteja ajustado ao mercado.

dezembro 2, 2007

A Web que se faz em Portugal

No início do ano descrevi algumas iniciativas startup localizadas em território nacional. Ao longo do ano muita coisa foi acontecendo e muitos novos projectos foram aparecendo. Apesar disso, fui revelando o meu descontentamento face à aversão que a generalidade dos portugueses parece ter em relação ao empreendedorismo.

Hoje, e em jeito de balanço deste ano, deixo aqui um "mapa" de projectos Web desenvolvidos e lançados em Portugal. Alguns deles estão direccionados ao mercado português, enquanto que outros ambicionam (e muito bem) o mercado global.

http://smallr.net/ http://www.destakes.com/ http://blogaqui.com/ http://www.lusocast.com/ http://www.guestcentric.com/ http://www.domelhor.net/ http://www.adegga.com/ http://www.izideal.pt/ http://gimmestock.com/ http://mappeo.net/ http://www.projectocolibri.com/ http://pt.jobtide.com/ http://blog.com/ http://questionform.com/ http://goplan.org/ http://www.palcoprincipal.com/ http://www.wiilu.com/ http://belacena.com/ http://twitternotes.com/ http://www.vivapets.com/ http://zerozero.pt/ http://petnet.pt/

Conhecem mais projectos Web desenvolvidos em Portugal? Estão a pensar lançar algum projecto nos próximos tempos?

novembro 11, 2007

O estado do empreendedorismo

Paira no ar um certo desconforto relacionado com o facto de não existirem em Portugal projectos Web em quantidade. Existem, é claro, os grandes portais utilizados pela maioria do público português. Abaixo dessa liderança de audiências despontam alguns projectos mais corajosos, mas nada mais do que isso.

Porque razão não são lançados mais projectos Web por empresas ou indivíduos portugueses? O que falta para que surjam mais empreendedores em território nacional? Para tentar responder a estas questões proponho que tentemos dissecar as características de um empreendedor e verificar até que ponto o povo português se encaixa nesse perfil.

Após consultar alguma bibliografia relacionada com este tema, seleccionei a seguinte lista de características do empreendedor:

  • Criatividade --- O empreendedor é, por natureza, criativo. O empreendedor actua para além dos limites dos meios colocados à sua disposição, usando a criatividade para atingir os seus objectivos.
  • Realização --- O desejo de realização pessoal é um dos principais factores que motivam o empreendedor. Muitas vezes mais importante que o ganho financeiro está a realização pessoal.
  • Tolerância ao risco --- O risco é uma constante na vida de um empreendedor. Compreender e tolerar o risco é uma das suas características.
  • Independência (ou autonomia) --- O empreendedor é autónomo, conseguindo prosseguir o seu caminho mesmo sem fazer parte de uma equipa ou empresa.
  • Perseverança --- O empreendedor não desiste enquanto não conseguir alcançar o seu objectivo, por mais adversidades que lhe sejam apresentadas.
  • Auto-confiança --- Para conseguir realizar tudo aquilo a que se propõe, o empreendedor acredita, acima de tudo, em si próprio.
  • Optimismo --- Todas as situações são abordados de um ângulo optimista. O empreendedor elimina rapidamente quaisquer dificuldades que se atravessem no seu percurso.

Será que o típico português possui as características necessárias ao empreendedorismo? Provavelmente terá algumas destas características mas não todas elas, sendo que muitas das vezes possui características inversas às desejadas (o caso da característica Optimismo).

Sim, o português é criativo (nós costumamos usar o termo "desenrascado"). Sim, o português deseja muito a sua realização pessoal, embora na maior parte dos casos isso se traduza somente na componente financeira (ou seja, ganhar a lotaria resolveria a questão).

Agora, será que o português é optimista? O português é fatalista, vislumbrando quaisquer problemas ou dificuldades antes de elas acontecerem (o célebre síndroma do "Velho do Restelo"). Será que o português possui auto-confiança em quantidade suficiente para assumir os riscos inerentes a uma actividade empreendedora?

Provavelmente sem uma "rede" não avançará, precisando de apoios externos (leia-se apoios financeiros) aos seus empreendimentos. Esta é provavelmente, a principal queixa por parte de quem tem ideias e quer montar empresas: a falta de subsídios ou de capital de risco.

Antevejo em Portugal uma crescente vontade de assumir riscos e tentar a sorte na forma de projectos empresariais próprios. Obviamente que isto só acontecerá a uma franja da população, provavelmente com mais auto-confiança e optimismo. Ainda teremos que esperar bastante tempo até que possamos olhar para Portugal como um país de empreendedores.

junho 30, 2007

Google com dificuldades em recrutar talentos

Parece que o fenómeno falta de mão-de-obra qualificada está a começar a preocupar o Google. De acordo com um artigo no The Wall Street Journal a atracção que muitos sentiam em trabalhar no Google está a perder força. Traduzindo o artigo:

"Há muita gente no Google que está a falar em sair agora e nos seus planos para o futuro (...)"

E esses planos passam, normalmente, por formar uma start-up ou juntar-se a uma das muitas que têm escritórios no Silicon Valley. O artigo descreve as experiências de alguns ex-funcionários do Google que optaram por empresas bem mais pequenas mas com maior potencial de crescimento e onde poderão, de facto, fazer a diferença:

"O Google está a perder uma quantidade dos seus mais talentosos colaboradores -- alguns saem por que se sentem frustrados, outros porque se sentem cansados (...)"

Qual é a reacção do Google relativamente a esta situação? Para evitar que este comportamento se transforme rapidamente na norma, foram tomadas medidas a vários níveis:

  1. Alteração da comunicação em acções de recrutamento;
  2. Adopção de uma postura muito mais start-up;
  3. Apoio directo a elementos empreendedores que se poderão transformar em futuros colaboradores.

Vejamos como foi alterada a comunicação. Basta visitar a área de recrutamento do Google e comparar o conteúdo com o existente antes da alteração.

Onde antes se lia "Can one conversation change the world?" lê-se agora "Enjoy what you do, where you do it, and the people you do it with.", nitidamente muito mais orientada para os aspectos práticos do trabalho e não para a filosofia por detrás da empresa. Basicamente toda a comunicação virou-se para o que o futuro colaborador poderá realizar ao juntar-se à empresa e não, como anteriormente, à grandeza da empresa e aos seus feitos ao longo dos últimos anos.

Relativamente à postura start-up e ao apoio directo dado a quem tem espírito empreendedor, veja-se o mais recente programa de financiamento lançado pela empresa a todos aqueles que se destacarem no desenvolvimento de gadgets para a homepage personalizada do Google.

O Google Gadget Ventures é um programa que oferece bolsas no valor de USD $5.000 a todos aqueles que se destacarem na criação de um gadget. Além disso oferece investimentos em capital semente no valor de USD $100.000 a quem pretenda desenvolver um negócio em torno de um gadget.

São, nitidamente, acções para chamar a atenção de todos os indivíduos que pensam trocar um emprego no Google por uma start-up. Vamos ver se estas acções terão resultados positivos a médio e longo prazo.

março 3, 2007

MySpace para amantes de vinho

Foi desta forma que João Pedro Pereira caracterizou o projecto encabeçado por André Ribeirinho denominado Adegga.com.

No artigo do novo suplemento Digital da edição de 3 de Março de 2007 do jornal Público, João Pedro Pereira afirma que o projecto "vai permitir que cada utilizador contribua para uma crescente base de dados, adicionando novos vinhos e dando a sua opinião sobre as diferentes colheitas".

Além disso, segundo André Ribeirinho, esperam-se "funcionalidades inovadoras", sendo criada uma diferenciação com outros serviços já existentes com objectivos semelhantes:

O lançamento está previsto para "meados de 2007", de acordo com o mesmo artigo do Público. Vamos então esperar por mais novidades deste tão promissor projecto.

fevereiro 1, 2007

Empresa num minuto

A FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels) associou-se ao Rádio Clube Português e lançaram uma iniciativa inédita em Portugal: a empresa num minuto.

Esta iniciativa consiste na possibilidade de qualquer empreendedor enviar o seu plano de negócio à apreciação da FNABA. A Federação, através dos seus contactos, dará resposta ao empreendedor no sentido de determinar se a sua ideia tem viabilidade comercial.

O RCP entra na parceria como divulgador de projectos com potencial de mercado, como aliás já tem feito com algumas das empresas apoiadas por capital de risco. Ouça-se, por exemplo, a reportagem (wav) sobre a Satellite News transmitida na rádio.

A Satellite News é uma empresa portuguesa apoiada por capital de risco que comercializa soluções de impressão de jornais através de quiosques disponibilizados ao público. Esta solução permite a um leitor obter o jornal a custo mais reduzido e com maior rapidez.

Para apresentar uma ideia de projecto basta enviar um plano de negócios para rcp.fnaba@gmail.com. Está à espera de quê?